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Homilia Diária

Podemos julgar o irmão?

O “não julgueis" a que se refere Nosso Senhor consiste em não condenar os outros com uma medida demasiado severa, implacável, inclemente, cujo peso nem nós mesmos suportaríamos.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
7, 1-5)

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: "Não julgueis e não sereis julgados. Pois, vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes; e sereis medidos, com a mesma medida com que medirdes.

Por que observas o cisco no olho do teu irmão, e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? Ou, como podes dizer a teu irmão: 'Deixa-me tirar o cisco do teu olho', quando tu mesmo tens uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão".

O Evangelho que a Igreja proclama nesta segunda-feira gira em torno do julgamento: "Não julgueis", proclama Nosso Senhor, "e não sereis julgados", e dá em seguida a razão dessa proibição: "Pois vós sereis medidos com a mesma medida com que medirdes". Situado no contexto do Sermão da Montanha, o que Jesus hoje nos diz aponta para um caminho de santidade que não é, obviamente, incompatível com os juízos retos e justos que todo homem, inteligente por natureza, é capaz de formular a respeito do mundo e das pessoas. O "não julgueis" a que Ele se refere consiste em não condenar os outros com uma medida demasiado severa, implacável, inclemente, cujo peso nem nós mesmos suportaríamos. Temos, é claro, de ser intransigentes em relação aos princípios morais e defender com franqueza o que a Igreja ensina acerca dos bons e maus costumes; o que, porém, devemos banir de nossa conduta é a tendência a sentenciar a tudo e a todos, como se nunca houvéramos pecado nem merecido, de nossa parte, a justiça que pedimos seja feita sobre os demais (cf. Lc 9, 51-56). Não se trata, portanto, nem de ser ingenuamente compassivo e misericordioso — sob o pretexto de que tudo se deve tolerar — nem de fechar os olhos aos pecados alheios e eximir-se do grave dever de corrigir e aconselhar os que erram. Que o nosso coração seja como o de Cristo, reto em seus julgamentos, mas tardo para condenar os malvados; compreensível em sua paciência, mas pronto para reconduzir os desviados. Roguemos, pois, à Virgem Santíssima que nos dê a graça de sempre nos lembrarmos de que, se a Deus pedimos justiça e vingança, seremos nós os primeiros a ser cobrados.

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